Quem cuida de uma lavoura sabe quanto trabalho existe até a colheita. Quando esse esforço recebe um prêmio, a alegria envolve toda a família. Foi esse sentimento que marcou o primeiro Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso. E é dessa conquista que nasce nosso próximo compromisso: ajudar os produtores a transformar o reconhecimento em mais renda e oportunidades.
Os indígenas Miguel, Rafael Suruí e Naraykoalab Suruí, de Rondolândia, conquistaram, nessa ordem, os três primeiros lugares na categoria Café Fermentado. Miguel e Rafael também ficaram em primeiro e segundo na Excelência Suprema, que reconheceu os melhores cafés do concurso. Cinco premiações que dão visibilidade ao trabalho dessas famílias e à qualidade do que produzem.
Essa conquista tem um significado especial quando olhamos para o lugar de onde vêm esses cafés. Rondolândia fica no Noroeste de Mato Grosso, na divisa com Rondônia, e abriga parte da Terra Indígena Sete de Setembro. O território do povo Paiter Suruí se estende pelos dois estados. O café produzido ali carrega também a história e a identidade dessas comunidades.
Aripuanã, Colniza e Juara também tiveram produtores premiados e reforçaram a presença do Noroeste no concurso. Paranaíta e Alta Floresta representaram a região Norte. São lugares diferentes, com famílias que encontraram no café uma possibilidade de melhorar de vida.
ntivar novos plantios. Uma variedade que vai bem em uma região precisa ser avaliada antes de ser indicada para outra. A pesquisa ajuda a fazer essa escolha com mais segurança, levando em conta o solo, a água e o clima.
Como secretária, quero que o avanço do café apareça no dia a dia das famílias. Na tranquilidade de pagar as contas, na possibilidade de melhorar a propriedade e na vontade de um filho ou de uma filha de continuar o trabalho no campo porque enxerga futuro ali.
O concurso nos deu motivos para celebrar e mostrou a qualidade dos nossos cafés. Agora, cabe a nós ajudar a abrir as próximas portas. O prêmio valoriza o que foi produzido. A conquista se completa quando esse valor chega à vida de quem plantou, cuidou e colheu.
Andreia Fujioka é gestora governamental e secretária de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso.
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