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POLÍTICA & PODER Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026, 10:37 - A | A

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USO DAS IAs

'Deepfakes e Deep Nudes podem ser usadas para desqualificar candidatas nestas eleições', diz Gisela

Ela defende publicamente punições mais rigorosas para quem produz ou divulga esse tipo de conteúdo, ressaltando que essas ferramentas buscam não só ferir a honra, mas degradar a participação feminina no debate político

Da Redação

Neste início de 2026, a deputada federal Gisela Simona tem intensificado seus alertas à imprensa, em palestras pelo interior de Mato Grosso, em participações em rádio, TV e podcasts sobre um risco emergente nas eleições: a transformação da inteligência artificial (IA) em arma de desqualificação moral e política contra mulheres. Para ela, essa ameaça pode causar danos irreversíveis à participação feminina na vida pública durante o processo eleitoral de 2026.

Líder da bancada feminina do União Brasil e vice-líder do maior bloco parlamentar da Câmara dos Deputados, com 363 integrantes, Gisela tem sido uma das vozes mais ativas no Congresso no combate à violência digital de gênero. Para a parlamentar, o uso de deepfakes e deep nudes não configuram somente crimes cibernéticos, muito antes representam uma intenção clara de desqualificar e excluir mulheres da arena pública.

Ela defende publicamente punições mais rigorosas para quem produz ou divulga esse tipo de conteúdo, ressaltando que essas ferramentas buscam não só ferir a honra, mas degradar a participação feminina no debate político.

Sob essa perspectiva, Gisela alerta que muitas mulheres, temendo ter sua imagem vinculada a conteúdos pornográficos falsos, podem se afastar da vida pública. “Durante períodos eleitorais, sabemos que deep nudes e deepfakes serão usados massivamente para desqualificar trajetórias, substituindo o debate de ideias pela superexposição dos corpos como conteúdo e objeto”, diz a deputada, ao ainda ressaltar que infelizmente mesmo quando a falsidade for comprovada, o dano à reputação já terá sido feito. "E isso pode sufocar candidaturas femininas antes mesmo que elas comecem de fato".

Desta forma, para Gisela, é urgente assegurar mecanismos que impeçam a propagação dessas mentiras e responsabilizem tanto os autores quanto as plataformas que as amplificam. Assim, leva a proposição para a Câmara, neste retorno aos trabalhos parlamentares, que os próprios provedores de redes sociais sejam compelidos a remover rapidamente esse tipo de conteúdo, sob pena de multas ou outras sanções.

"A evolução tecnológica pode ser usada em 2026 para destruir a reputação de candidatas em questão de segundos, muito antes que qualquer checagem de fatos ou decisão judicial consiga reparar o dano no imaginário do eleitorado. A ampla disseminação em redes sociais torna essa agressão contínua no universo digital, deixando marcas duradouras nas trajetórias políticas".

Conforme Gisela, o problema não é a ausência de legislação, pois já existem normas que criminalizam a violência digital contra a intimidade de mulheres. “O que falta”, diz ela, “é a responsabilização efetiva dos sites e de seus autores, que muitas vezes lucram com a produção e disseminação dessas imagens abusivas”. Nesse sentido, a deputada pede novas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 2026, que podem prever cassação de registro ou mandato de candidatos que utilizarem deepfakes para prejudicar adversários. Além de criminalização específica do deep nude, com penas de reclusão de até seis anos, agravadas quando a vítima for mulher.

Em consonância com esse alerta político, a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, destacou esta semana em seminário sobre 'desinformação, segurança e comunicação no processo eleitoral', o crescimento perigoso da circulação de desinformação por meio de IAs com a aproximação das eleições. Para ela, essas ações maliciosas buscam gerar descrença e capturar a vontade livre do eleitor, transformando o ambiente digital em um campo de batalha.

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