Os seis candidatos à Prefeitura de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), Julier Sebastião (PDT), Renato Santtana (Rede), Serys Slhessarenko (PRB), Procurador Mauro Lara (Psol) e Wilson Santos (PSDB), participaram na noite desta terça-feira (13) de debate promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso.
Em um debate que pôde ser considerado “morno”, coube à candidata Serys a polêmica, ao questionar Julier sobre o envolvimento na operação Ararath, o que gerou pedidos de direito de resposta.
Dividido em quatro blocos, o debate começou com um questionamento do presidente da Ordem, sobre as obras da copa que ainda não foram concluídas e o plano de governo dos candidatos, abordando ainda a dívida dos municípios com o Governo Federal, o que dificultará qualquer projeto voltado a Capital.
Todos os candidatos ressaltaram a importância de se terminar as obras, sendo que Julier ressaltou que se faz necessário inverter a lógica dos primeiros 300 anos de Cuiabá: inverter as prioridades da Prefeitura, fazendo com que os menos favorecidos no sentido econômico e social, sejam a prioridade da Capital.
Já Wilson Santos lembrou que Cuiabá tem pouca capacidade de investimentos, de apenas 3% de seu orçamento, e que o maior desafio do futuro prefeito é exatamente recuperar essa capacidade de investimento, e quanto às obras da Copa, que são de responsabilidade do Governo do Estado, e que ao prefeito cabe pressionar para que elas sejam concluídas.
Emanuel Pinheiro destacou ser necessário um choque de gestão, que o prefeito precisa agir de forma dura na cobraça pela conclusão das obras, e mais uma vez afirmou que os responsáveis que abandonaram as obras precisam ser responsabilizados no rigor da lei.
O candidato a Rede, Renatto Santana, disse que sua candidatura não promete milagres, e que romperá com o século XX, onde muitas promessas foram feitas, mas quase nenhuma realização foi entregue à população.
Quinto candidato a responder, o Procurador Mauro reafirmou que tem como compromisso romper com as antigas formas de se fazer política, ressaltando que o Governo do Estado tem extrema má vontade de terminar as obras, por elas terem começado na gestão passada, e disse ser contrário a visão de crise total, e de ser impossível fazer mais com os recursos existentes. Por fim, o candidato do PSOL cita o incremente da arrecadação como um índice positivo.
Serys por seu lado, disse irá usar sua força política para achar saídas para concluir as obras e amenizar a crise financeira, prometendo reduzir o ISS como forma de aumentar a arrecadação, citando exemplo de algumas cidades que tomaram essa medida e tiveram incremento de receira.
No segundo bloco o mediador sorteia um candidato para fazer uma pergunta de tema livre. O candidato escolhe para quem perguntar. Quem respondeu escolhe alguém que não foi questionado até que todos sejam perguntados. Neste bloco só há resposta e réplica, sem tréplica.
No sorteio, o primeiro a perguntar é Julier, que escolher Emanuel Pinheiro para responder. No questionamento, ele cita a violência crescente na Capital e o envolvimento de crianças e adolescentes no mundo do crime, querendo saber o que Emanuel pretende fazer com os Conselhos Tutelares.
Lembrando que é que é signatário da carta de compromisso político que estabelece 12 compromissos para acolhimento, tratamento e inserção de crianças vítimas de drogas e álcool, Emanuel disse que vai ser um gestor que irá fortalecer os conselheiros e irá priorizar ações para a população infanto-juvenil. Ele afirma que Cuiabá precisa de mais CRAS. Em sua réplica, Julier afirma que irá criar uma secretaria municipal de direitos humanos, que agirá com foco para garantir direitos das crianças e adolescentes.
Emanuel Pinheiro escolhe perguntar para o Procurador Mauro e questiona sobre a proposta de municipalização do transporte coletivo e da CAB, se o candidato do PSOL sabe quanto custaria essas medidas aos cofres municipais.
Afirmando que as privatizações não trouxeram benefício para a população, Mauro Lara afirmou que realmente pretende fazer a municipalização, que os contratos do transporte estão vencidos e que a CAB destinou até mesmo prêmios e bonificações a diretores de R$ 30 milhões, e que visa apenas lucro. Já Emanuel usa a réplica para afirmar que Cuiabá não tem capacidade financeira para retomar os serviços de água e esgoto, e muito menos municipalizar o transporte, lembrando o custo dos veículos, que para renovar a frota completa seriam necessários R$ 80 milhões, fora insumos e pessoal.
A pergunta do Procurador Mauro é direcionada a Serys, sobre como ela pretende fazer a gestão ouvindo a população. A candidata diz que não pretende fazer diversas auditorias, mas sim levantamento sobre a real situação do município, e aí sim, fazer auditorias onde forem detectadas irregularidades. Já o procurador em sua réplica aborda o transporte coletivo, afirmando que existe uma “caixa preta” no setor e critica o valor alto da tarifa.
Protagonizando o momento polêmico do debate, Serys em seu questionamento a Wilson Santos lembra que Julier fala que não tem processo na Ararath, porém, ela afirmou ter visto em última movimentação do processo no dia 26 de agosto o nome do pedetista na ação, perguntando o que Wilson acha dessa situação.
Já Wilson diz que não pode responder pelo Julier, ressaltando que o cidadão precisa ter transparência de todos os candidatos e lembra que responde vários processos. Já Serys diz que tem extrato feito na Justiça Federal que mostra o Julier no caso e relembra ser autora da lei da delação premiada
Wilson pergunta para Renato sobre o tema 'água' e quer saber quais são as propostas para universalizar e dar qualidade à água na Capital. Dizendo que a Sanecap era pública e não conseguiu levar água às torneiras, o mesmo fazendo a CAB sendo uma empresa privada, Renato defendeu a implementação do inventário de carbono para arrecadar recursos que serão investidos em esgoto em Cuiabá, ressaltando a necessidade do tratamento do esgoto, e não apenas a captação, lembrando que apenas 25% do esgoto é tratado em Cuiabá. Já Wilson lembra ter sido responsável pela construção da ETA Tijucal, que garante a água para diversos bairros da Capital.
Já o questionamento de Santtana é para Julier, sobre as agências reguladoras. Na resposta, Julier lembra ter vontade de rescindir o contrato da CAB e não ser preocupado com a empresa privada, garantindo a efetividade das agências se eleito prefeito. Na réplica, Renato afirma que a agência reguladora não cumpre seu papel e que vai propor um aplicativo de celular para qualquer cidadão que efetivamente paga seus impostos ter o poder de dizer ser um serviço tem qualidade ou não tem qualidade.
Ao começar o terceiro bloco, o candidato Julier ganha direito de resposta sobre a acusação de ter processo na Ararath feita por Serys, afirmando que ela está sendo injusta com ele, da mesma forma que ela mesmo foi injustiçada no passado, lembrando, segundo ele, que a candidata “mamou” nos governos Lula e Dilma e depois abandonou o barco, sendo a vez de Serys pedir direito de resposta.
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